Darwinismo ao contrário

CF_AmbienteGrande Charlão! Ou Charles Darwin para os não tão íntimos assim! Foi ele o primeiro a reconhecer e apresentar aos cientistas a Teoria da Evolução e ficar mundialmente conhecido por isto. Comemoramos o centenário de nascimento de Darwin em 2009. Em sua Teoria da Evolução Darwin afirmava que “não haviam duas plantas ou animais exatamente iguais e aqueles que se desenvolveram melhor foram os que tiveram a chance de se adaptar às mudanças que ocorreram no planeta” e no ambiente onde eles viviam.

Dizem que esta teoria ainda vale até hoje.

Acho que se Charles Darwin estivesse vivo por estes dias e trabalhando, com certeza, não teria publicado nenhuma teoria da evolução. Estamos observando hoje que a teoria da evolução de Darwin é uma mentira  - quando associamos ao mundo corporativo. Acredito que ele teria publicado algo como Teoria da Involução, de tão desanimado que ele estaria com o tal do ser humano.

Se pensarmos na Teoria da Evolução original, lá pros anos de 1830, imaginamos que as pessoas deveriam evoluir conforme ocorrem as mudanças de cenário e o ambiente se torna propício ao desenvolvimento. Acreditamos que as pessoas à medida que se capacitam, aprendem novas coisas, assumem novas responsabilidades ou lideram outras pessoas, tenham quer melhores – de um jeito ou de outro.

O que observamos é algo totalmente diferente disto.

Parece que as pessoas estão involuindo. Não existe colaboração para que os problemas diários sejam sanados, parecendo mais um festival bélico, onde armas estão apontadas para os outros departamentos somente aguardando um deslize para que sejam acionadas. Todos estão preocupados em levantar os problemas, mas ninguém quer saber de oferecer ajuda para resolver (isto não é comigo). Os tempos de respostas (quando existem) estão cada vez mais longos e, como tantas coisas ocorrem, nem lembramos de responder – mas lembramos de cobrar os outros.

A facilidade de adicionar destinatários  nos emails, faz com que o problema seja potencializado muito além daquilo que realmente é. Cinco ou seis pessoas tentam resolver o problema – cada um por si. Acabamos por perder 5 unidades de tempo que poderiam ser utilizadas para outras coisas. Os gestores atuando em micro gerenciamento, perguntando três vezes a mesma coisa e se espantando as três vezes com a mesma resposta. Ou pessoas respondendo três coisas diferentes para a mesma pergunta.

Para o mesmo contingente de pessoas precisamos de duas vezes mais atuação da equipe de suporte. São os mesmos problemas operacionais de anos atrás e não se toma a iniciativa de resolvê-los. Continuamos reclamando da falta de treinamento e capacitação e não fazemos nada para que possamos melhorar nestes aspectos, mas exigimos que nossos empregadores o façam.

Pessoas despreparadas são colocadas em posições estratégicas. Punimos os ruins trocando seus horários de trabalho para aqueles horários mais ingratos (os principais problemas ocorrem nestes horários).  Gestores fingem que estão preocupados com os problemas mas no fundo só querem que ninguém os incomode com eles. É um contínuo blá blá blá e no final saímos das reuniões com as mesmas aflições quando entramos  – isto se não piorarem.

Outras se capacitam em milhares de cursos, leem diversos livros e conhecem vários conceitos. Sugerem implantações mirabolantes de modelos de excelência, alocam pessoas para se capacitarem, mas não contam para ninguém qual é a estratégia, quais objetivos serão alcançados e esperam que o comprometimento apareça como milagre.

Em alguns casos, acreditam que é possível comprar motivação no supermercado, em garrafas de 1 ou 2 litros e que as pessoas por si só irão atrás deste santo remédio para que consigam acorda todos os dias e irem ao escritório. Vejo pessoas somente apontando problemas e nunca focando nas soluções e outras que perdem a credibilidade por não saberem priorizar os problemas por ordem de grandeza ou pelo impacto que causa na cadeia de valor.

Em resumo, não estamos evoluindo. Estamos andando em círculos ou pior, para trás. Globalização, colaboração, desenvolvimento contínuo, excelência operacional e outras coisinhas de tanta ou maior importância são os vetores para um a Evolução corporativa. Não dá para evoluir se somente um pequeno contingente tenta fazer a diferença….

Pense nisto. Evolua.

Sobre BIZZETTO, Marco Aurelio

Marco Aurélio BIZZETTO acredita que o mundo pode ser bem melhor se focarmos novamente nas pessoas, em suas competências e principalmente suas diferenças. É administrador de empresas, especialista em Psicologia Oganizacional e MBA em Gestão de Projetos pela POLI-USP. Professional e Executive Coach pela SBC.
Esta entrada foi publicada em CF Ambiente, CF Carreira, CF Melhoria Contínua, CF Pessoal, Coaching Futuro. ligação permanente.