Método Paliativo de Gestão

coaching_futuro_GESTAOO gerenciamento que resolve problemas de maneira rápida é bem visto pelas grandes empresas, o que não é muito bem visto é resolver os problemas de um jeito que aparentemente funciona, porém de maneira paliativa. Os problemas voltam e a bola de neve só tende a aumentar.

Entrevistador: – Como você lida com problemas?

Entrevistado: – Sou ótimo em solucionar problemas. Resolução de problemas é uma das minhas qualidades.

Entrevistador: – Que bom. É isto que sempre precisamos por aqui.

Capacidade de resolução de problemas é uma das competências mais pedidas pelas empresas e recrutadores para as diferentes vagas de emprego e em sites de busca de profissionais. Saber como resolver problemas é um diferencial, mas saber resolver problemas de forma definitiva é um dom.

Nos dias de hoje, onde as necessidades dos negócios são latentes e imediatas, mais e mais as empresas querem soluções rápidas para que o “time to market” não seja comprometido. Prazos tendem a serem mais curtos, clientes – tanto internos quanto externos – possuem necessidades cada vez mais complexas que fogem à realidade da empresa e que precisam ser atendidas, gestores sendo cobrados cada vez mais e os recursos ficando mais escassos.

Esta é a base do método paliativo de gestão. Para alguns, este método faz toda a diferença para os casos onde é necessária uma solução imediata às demandas dos clientes. Os problemas são resolvidos rapidamente, em grandes quantidades e o cliente para de incomodar. Para o gestor paliativo, estas grandes conquistas são exaltadas de forma a demonstrar sua eficiência e eficácia com a resolução de problemas. Para outros, o método paliativo nada mais é do que o famoso “jeitinho brasileiro” batizado com outro nome.

O método paliativo está tomando conta do mundo corporativo. Para garantir que os clientes tenham respostas rápidas às necessidades, são dadas soluções temporárias para os problemas, QGs, bacas (para os da área de TI) ou qualquer nome que a sua empresa está acostumada a chamar. Acho que deve ser para os clientes pararem de reclamar e deixarem as pessoas em paz. O cliente até pode parar de reclamar naquele momento, mas a hora que o problema volta – a reclamação vem junto em maior tom e com maior intensidade. Um pequeno punhado pode se tornar uma grande bola de neve.

São preparados remédios para os sintomas e não para as reais raízes dos problemas. Afinal, quem é que gosta de ficar procurando causas para os problemas depois que eles já foram “resolvidos”?  Vamos pular para o próximo desafio e ganhar mais pontos.

Isso me lembra uma história bem recente. Na Foxconn – para quem não conhece, é a maior empresa de tecnologia da China e é responsável pela montagem dos aparelhos da Apple® – ocorreram 17 suicídios em 5 anos. Inicialmente as pessoas queriam trabalhar na Foxconn pelo diferencial de ser uma grande empresa e com grande perspectiva, mas 17 deles acabaram se matando sem que fossem descobertos os porquês. O que a Foxconn fez para reduzir o número de mortes? Investigou as causas dos suicídios? Tentou entender ou colocar algum apoio psicológico? Trabalhou com possíveis candidatos ao suicídio? Não, nenhuma das respostas acima. A Foxconn instalou redes para que os trabalhadores não morressem caso quisessem se jogar dos andares mais altos, conforme imagem abaixo:

 foxconn

Taí a gestão paliativa entrando em funcionamento.

O problema do método paliativo é que alguém, um dia, vai herdar o problema e ser o culpado pela não solução definitiva. O que fazer?  Alguém vai perguntar o porquê das redes instaladas ali e mandará retirar os artefatos. Na semana seguinte, outros 3 chineses saltando do último andar. Problema reinstalado.

Não seria melhor identificar a causa real dos suicídios e tentar agir na raiz do problema?

Trazendo isto para a realidade das empresas brasileiras, o famoso jeitinho brasileiro deveria ser extinto das organizações. O tempo para se fazer uma coisa bem feita pode ser até maior e o custo relativamente mais alto, mas a maioria dos problemas que aparecem podem ser resolvidos de maneira definitiva e com qualidade quase no mesmo tempo que fazer mal-feito ou mais-ou-menos.

Não estou fazendo apologia a eliminarmos com a solução paliativa. Estou sim defendendo que as soluções paliativas não sejam as únicas soluções utilizadas pelas empresas. Se forem utilizadas, que sejam com utilizadas quando realmente se fizerem necessárias. E aposto que seriam em menos de 10% dos casos.

E o que fazer para tornar isto realidade. Enumerei X itens que podem ajudar nesta estratégia:

  1. Buscar esclarecer aos clientes internos e externos que soluções definitivas e bem feitas tendem a levar mais tempo para serem colocadas em funcionamento.
  2. Condicionar todos os envolvidos nos processos de solução de problemas que os façam de maneira a identificar a raiz do problema.
  3. Atacar as causas raiz e não os sintomas do problema. Sintomas geralmente mascaram um problema muito maior.
  4. Conscientização de todos os níveis de gestão sobre solução definitiva de problemas, estratégias, benefícios e resultados; ilustrar o quanto se perde com a solução paliativa e como se livrar disto.

A empresa que resolver definitivamente os problemas (ou pelo menos definir a estratégia para tal) estará alguns passos a frente dos concorrentes.

Pense nisso e mude seu destino.

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Sobre BIZZETTO, Marco Aurelio

Marco Aurélio BIZZETTO acredita que o mundo pode ser bem melhor se focarmos novamente nas pessoas, em suas competências e principalmente suas diferenças. É administrador de empresas, especialista em Psicologia Oganizacional e MBA em Gestão de Projetos pela POLI-USP. Professional e Executive Coach pela SBC.
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