Desorientado a entregas

Algumas pessoas são orientadas para entregas, ou seja, querem entregar algo necessário e bem alinhado com a especificação e desejo do cliente. Outras possuem um foco totalmente diferente…

CF_ProdutividadeA parte interessante, triste e até muitas vezes trágica, é que estas pessoas não devem ter a mínima noção de que fazem isto. Sua crença está no seu estilo e nada mais: “trabalhamos desta forma e pronto!”. Como não sabem que são assim, não sofrem com as coisas que deixam de entregar e até argumentam que não tem nada a ver com eles.

Este tipo de profissional – o desorientado (que deveria ser algo em extinção nos dias de hoje) – possui características específicas e que são facilmente identificadas no dia a dia:

  • Situação: Se escondem atrás de processos operacionais para justificar eventuais atrasos;  Justificativa: Como não foi solicitado oficialmente, não pode ser identificado como problema e consequentemente não entra na estatística.
  • Situação: Priorizam aquilo que não é importante para ninguém e não focam nas necessidades dos clientes: a lista de prioridades que vale é a dele e não a de quem está pagando a conta; Justificativa: Não posso desorganizar a minha sequencia de atividades por conta de uma prioridade qualquer, mesmo sendo do meu cliente.
  • Situação: Inventam teorias conspiratórias e milhões desculpas para justificar os porquês de não ter entregue; Justificativa:  Para que entregar hoje se podemos não entregar amanhã?
  • Situação: Acreditam que flexibilidade é sinônimo de bagunça: qualquer adaptação ou variação de um planejamento pode causar grandes impactos negativos, mesmo que as mudanças sejam claramente identificadas como benéfica por todos. Ele não dá o braço a torcer e usa sempre a expressão: “combinado não sai caro.”  Justificativa: Muito trabalho planejar tudo outra vez!
  • Situação: Não cumprem prazos ou, quando cumprem, o que foi entregue não está completo; Justificativa: Precisamos deixar algo para fazer depois, se não, nossa lista vai acabar e precisamos valorizar nosso salário.
  • Situação: Nunca estão presentes quando mais se precisa deles. Aliás, eles conseguem sumir de repente e não deixam rastros; Justificativa: Se precisa falar comigo, tem que agendar com antecedência, muita antecedência.
  • Situação: Não estão envolvidos com a operação e simplesmente passam a demanda pra frente – inclusive as decisões; Justificativa: Deixa o povo da minha equipe trabalhar.
  • Situação: Centralizam informação pois acreditam que conseguirão se manter no cargo por mais tempo; Justificativa: Se ninguém souber o que eu sei, serei insubstituível.
  • Situação: Montam seus feudos cheio de amigos de longa data que fingem não se conhecer; Justificativa: trabalho melhor com pessoas que eu conheço e possuem o mesmo ritmo que eu.
  • Situação: Não possuem respostas imediatas, já que não estão envolvidos na operação. Espere mais um ou dois dias para ter uma resposta; Justificativa: Você não acha que eu tenha que saber tudo, acha?
  • Situação: Buscam soluções para coisas que ninguém está reclamando; Justificativa: Assim é melhor, não há cobrança de prazo de entrega.
  • Situação: Se o usuário não reclama, é que não existe problema (mesmo que algum problema tenha sido identificado pela sua própria equipe, para evitar o reflexo no usuário); Justificativa: Se alguém da minha equipe me avisa de um problema, ele está querendo mostrar minha ineficiência.
  • Situação: Utilizam termos técnicos desconhecidos para inventar desculpas que ninguém vai entender mesmo (até encontrar alguém que saiba que ele está tentando enganar); Justificativa: Para que adianta explicar em detalhes o que aconteceu para alguém que não conhece?
  • Situação: Não encontram as causas-raiz dos problemas. Justificativa: Para que gastar tempo procurando causa raiz se o problema já foi resolvido?
  • Situação: Reportam um problema que já se estende por 4 horas (e ele já sabia) e depois de 10 minutos comunicam que a solução foi encontrada há 40 minutos. Justificativa: Vamos mostrar que resolvemos um problema rapidamente (esta justificativa nem eles são capazes de acreditar).

E por último, mas não somente…

Acreditam que todos estão em busca de conflito, até mesmo quando se ouve um “bom dia!”

Existem outras milhares de situações com iguais ou mais justificativas para as não entregas.  O desafio constante e diário é tentar buscar uma maneira para que estas justificativas não ocorram quando você mais precisa de apoio.

O ruim disto tudo é que no final todo mundo perde. Deixamos de entregar algo importante para o cliente, seja ele interno ou externo, acabando por perder a oportunidade de demonstrar que é possível fazer. Perdemos credibilidade, visibilidade, espaço e até o orçamento para o próximo ano, só porque deixamos de entregar, por menor que seja a entrega e mesmo que existissem outras prioridades para justificar.

Reconquistar a credibilidade não é algo rápido. Perdê-la é muito mais fácil.

Pense nisto.

Sobre BIZZETTO, Marco Aurelio

Marco Aurélio BIZZETTO acredita que o mundo pode ser bem melhor se focarmos novamente nas pessoas, em suas competências e principalmente suas diferenças. É administrador de empresas, especialista em Psicologia Oganizacional e MBA em Gestão de Projetos pela POLI-USP. Professional e Executive Coach pela SBC.
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