O Efeito sem Causa

Este é um tema interessante e baseado em fatos reais. Os nomes aqui foram alterados para preservar a identidade do informante, do réu e das testemunhas. Aposto com você que já aconteceu contigo ou com algum amigo seu. Comigo nunca aconteceu. #sqn

CF_ProdutividadeUinston era uma pessoa de confiança de seu chefe, o grande Caio Zampieri. Chegou na empresa há tempos e conseguiu chegar a um cargo de coordenador. Uinston é um cara bom, sabe o que tem que fazer, quem atender, como realizar suas tarefas diariamente e a lista de atividades dele está sempre vazia ao final do dia. Só que Uinston tem um problema: ele não assume responsabilidades sobre as coisas que não entrega, ele transfere.

Transferir responsabilidades é até bonito de falar, mas o que realmente Uinston faz é criar problemas para os outros. Ele é especialista em criar efeitos desnecessários em problemas que não existem.

Dúvidas operacionais sobre como deveria funcionar o departamento viram problemas de processos que devem ser tratados com a área de controles internos. Processos estes que demandam 4 pessoas para resolver  uma simples questão colocada por um de seus subordinados. Erros de parâmetros viram “bugs” que a área de TI tem que arrumar ou atividades de sua responsabilidade viram necessidades de desenvolvimento de programas que devem automatizar todas as possibilidades de filtros e imaginar quais serão as alternativas a serem tratadas no caso de divergência. Problema dos outros.

Miguell Santos, “O gerente” (neste caso, ele acha que está só um nível abaixo do Espírito Santo, isto: Pai, Filho, Espírito Santo e Miguell Santos) que adora explicar as coisas com jargões desconhecidos pela maioria da massa,  se esconde em ineficiências dos processos e nas ameaças veladas a colaboradores internos e externos. Com isto, as pessoas ficam com medo de não atender (quando no caso das ameaças) ou perguntar o que efetivamente aconteceu (para as situações das explicações tecnicamente impossíveis de entender) para evitar demonstrar desconhecimento. Estas pessoas deixam de fazer seu trabalho para buscar alternativas por si mesmo só para conseguir que as coisas sejam feitas e elas continuem a desempenhar seu trabalho.

Um outro caso que podemos citar aqui é o caso de Fernanda M.. Ela adquiriu o hábito, exercido diariamente pelo seu gestor Julio P, de só querer falar com pessoas de alta patente corporativa, ou seja, só com diretores. Fernanda acredita que somente assim as coisas acontecem dentro da empresa. E como em qualquer empresa, quando uma alta patente (que geralmente não conhece efetivamente o que é importante ou urgente) é acionada, começam a voar emails e agendas de reuniões para solucionar os problemas e/ou necessidades  da nossa amiga Fernanda e de seu time.

Já nos casos dos deuses do olimpo, para quem a empresa nunca pode parar, o link de internet não pode ter nenhuma oscilação, o sistema tem que estar sempre na maior velocidade disponível possível, a senha não ter sido digitada errada, a energia não cair ou nem o outlook demorar mais do que 10 segundos para abrir uma caixa com 150 mil e-mails, a coisa toma outra proporção.

Não se pode falhar com deuses do olimpo. Tanto que para Miro Martins, Danilo Macedo ou Juliano Silva, você tem que estar atento, deve sempre se antecipar a um eventual problema que você não sabe que pode ocorrer e ter a solução (claro que juntamente com seus planos B, C e D) para tais necessidades.

O que todas estas pessoas tem em comum? Elas só criam barulho, efeitos que devem ser imediatamente atacados para que não causem mais barulho do que devem.

Estes efeitos criados em cada uma destas situações e outras que podemos descrever posteriormente, disparam cadeias de ações, planos, reuniões, telefonemas e emails por parte das pessoas acionadas em uma quantidade inimaginável. Os receptores destas ações todas deixam de focar naquilo que realmente importa para a empresa para que sejam atendidos caprichos desnecessários de pessoas que acreditam que tudo tem que ser do jeito delas e na hora que querem.

Aí todos saem correndo para resolver o problema, realizando atividades repetidas, muitas vezes batendo cabeça por não terem informação suficiente e com isto reduzindo a capacidade de entrega (muita gente fazendo a mesma coisa = pouca resposta). Depois do esforço todo, descobrimos que  não precisávamos de tanta energia assim.

Uinston ainda cobra de cada um daqueles para quem transferiu o problema (e é claro que ele também copia os gestores de cada um) como se fosse o chefe deles. Fernanda se sente orgulhosa de só falar de problemas com os chefes e o Miguell continua a acreditar que sua postura é a melhor do mundo e se sente intocável.

Pense nisto.

Sobre BIZZETTO, Marco Aurelio

Marco Aurélio BIZZETTO acredita que o mundo pode ser bem melhor se focarmos novamente nas pessoas, em suas competências e principalmente suas diferenças. É administrador de empresas, especialista em Psicologia Oganizacional e MBA em Gestão de Projetos pela POLI-USP. Professional e Executive Coach pela SBC.
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