Colapso no formigueiro

coaching_futuro_GESTAOUma das coisas que aprendi quando era criança, é que o funcionamento de um formigueiro ou de uma colméia é meio que natural. Não precisa ter um chefe. São uma colônia, dividas em castas e cada uma daquelas formigas sabe exatamente o que, quando e como deve fazer suas tarefas.

Alguns dizem que existe somente uma rainha, outros defendem que pode existir mais de uma e quando a rainha morre, o formigueiro acaba. Mentira. Se bobear, é até capaz de uma operária mais “bombada” desenvolva a capacidade de se reproduzir e botar ovos <leia mais aqui>.

O tema aqui é outro: formigueiro corporativo.

Entendo o mundo corporativo como um grande formigueiro, onde todos somos formigas, cada um na sua casta e com suas responsabilidades bem distintas. Sabemos o que fazer, com quem falar, o que produzir e quando entregar – individualmente. Só que diferente de uma colônia onde todos estão trabalhando pelo bem comum, a maioria das pessoas não está preocupada com os outros, só a sua área, o seu orçamento, a minha responsabilidade, o meu projeto e os meus resultados. Ouço muito: “meus resultados estão ok”, “a despesa é do meu centro de custo, eu gasto mesmo” ou “a minha parte eu já fiz, agora é com ele lá”.

Assim não vai funcionar mesmo, o formigueiro vai entrar em colapso.

Enquanto olharmos só nosso quadrado, muita coisa vai passar ao lado sem percebermos e o resultado geral não vai chegar onde efetivamente precisa estar. Para uma coisa funcionar direito, depende do funcionamento correto da outra que por sua vez, serve de entrada para outra área e assim sucessivamente. Os gestores só querem ficar bonitos para os seus chefes e é isto que importa. Não mexa no meu queijo.

Mais e mais vemos atividades ou controles que deveriam ser realizadas corporativamente, por áreas já especializadas, sendo descentralizados porque os especialistas não tratam todos como deveriam, mas sim priorizam somente o seus. Contratos são assinados com taxas diferenciadas para os mesmos itens e consequentemente os custos acabam se elevando porque os volumes não são centralizados.

Costumo exemplificar isto como sendo assim:Não adianta termos o “estado da arte” em um determinado departamento e o mesmo departamento em outra divisão parecer um prédio abandonado cheio de pixações.

De que adianta uma área dar resultado e as outras não? O resultado é de todos. Precisamos pensar na unidade, na organização como um todo, o resultado é geral. Isto quando não chega alguém e pede pra desenvolver um relatório gerencial para gerenciar assuntos criados para controlar aquilo que funcionalmente não tem cabimento (isto será assunto para outro texto), só faz sentido para aqueles que tentam se esconder nas entranhas corporativas e explicar algo que só eles entendem.

Pense nisto

Sobre BIZZETTO, Marco Aurelio

Marco Aurélio BIZZETTO acredita que o mundo pode ser bem melhor se focarmos novamente nas pessoas, em suas competências e principalmente suas diferenças. É administrador de empresas, especialista em Psicologia Oganizacional e MBA em Gestão de Projetos pela POLI-USP. Professional e Executive Coach pela SBC.
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