Políticas de guardanapo

Quando as políticas, projetos e definições corporativas são escritas nos guardanapos, não podemos esperar nada mais do que vê-las sumir…

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Com a movimentação continua nas empresas para redução de pessoas e custos, percebemos cada vez mais a necessidade de entregas rápidas e os famosos “quick-wins” (algo como: benefícios rápidos) que agregam valor ao processo com investimento de tempo ou recursos relativamente simples. Estas vitórias podem e devem ser celebradas, além de servir de degrau para outras várias vitórias, mas nem só de “quick-wins” vive uma empresa.

Com este objetivo em mente, as empresas acabam por querer definir políticas e projetos de maneira rápida e pouco concisa. Temos que resolver as dores e problemas das diferentes áreas e esquecendo de garantir que as bases sejam sólidas e os requisitos todos identificados.

São criadas forças-tarefa para resolução de problemas e busca de soluções, gerenciadas por pessoas que não tem a visão do todo e que, no fundo, somente olham para seus umbigos na vã intenção de mudar o mundo. Planos de ação aparecem de todos os lados sem que sejam embasados corretamente nem que tenham garantido para si o mínimo patrocínio para que não caia no esquecimento.

Definições são descritas em pedaços de papel que se perdem entre uma reunião e outra, pessoas que deveriam querer ter os problemas resolvidos não querem participar da definição e outras que nada tem a ver com a história saem cantando as deficiências para todos que quiserem ouvir. Nada de resolver.

O bom das iniciativas é que elas acabam criando um clima legal. Um clima de “vamos fazer diferente”. Só nas primeiras reuniões. Depois voltamos para a mesmice. Ainda não conseguimos descobrir como fazer para que as pessoas sejam diferentes, ou melhor, ajam de maneira diferente.

Precisamos evitar que só iniciativas que não se sustentam sejam realizadas, precisamos também das terminativas sólidas. Aquelas que fizeram a diferença e vão durar por bastante tempo. Não quero terminativas perpétuas, mas que atinjam objetivos e que durem pelo tempo que forem necessárias e que durem sozinhas.

Guardanapos que me perdoem, sei que vocês também são de papel, às vezes até mais nobre do que vários outros tipos, mas quando as políticas, projetos e definições corporativas são escritas nos guardanapos, não podemos esperar nada mais do que vê-las desaparecer em um bolso qualquer.

Pense nisto.

Sobre BIZZETTO, Marco Aurelio

Marco Aurélio BIZZETTO acredita que o mundo pode ser bem melhor se focarmos novamente nas pessoas, em suas competências e principalmente suas diferenças. É administrador de empresas, especialista em Psicologia Oganizacional e MBA em Gestão de Projetos pela POLI-USP. Professional e Executive Coach pela SBC.
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