Mostrar serviço?

CF_AmbienteRecentemente tive contato com um amigo cuja empresa está passando por uma grande fusão, em nível mundial. Ele me contou que o clima está extremamente tenso para uns e totalmente light para outros.

Perguntei o que ele queria dizer com tensos e outros calmos e me disse que era bem simples traçar uma linha (ou identificar) o que estava levando para um ou outro tipo de postura.

Os tensos estavam divididos em 3 grupos – os medrosos, os ansiosos e os pretensiosos – e me detalhou cada um dos perfis.

  1. Medrosos - Eles não tem idéia do que vai acontecer e não possuem plano “B”, já que tem a consciência que não se garantem por muito tempo na nova estrutura. Imaginam um cenário catastrófico e acreditam que serão os primeiros a serem eliminados. Seu método de defesa é tentar demonstrar serviço e ser o “insubstituível”, solicitando controles nunca antes necessários,  microgerenciam os processos para assegurar que “estão sabendo de tudo” e buscam os culpados para tirar o foco de si.  Este grupo também busca gerar a demanda de outros para “mostrar serviço” e parecer sempre ocupado.
  2. Ansiosos - Este grupo fica especulando sobre o que pode acontecer. Assim como os medrosos, não tem idéia do que vai acontecer, mas já se preparam. Atualizaram seus CVs e contrataram os mais famosos sites de RH e headhunters para garantir seu futuro. Também não conseguem se imaginar na nova estrutura, mas não tentam demonstrar aquilo que não são. Vão continuar conjecturando as possibilidades durante o café e, na primeira oportunidade, vão pular fora.
  3. Pretensiosos – Já os pretensiosos acreditam que nada vai acontecer com eles.  Acreditam que seu trabalho e as informações que possuem são exclusivos, únicos e imprescindíveis para a organização, tanto a atual como a entrante. Serão eles os responsáveis pela implementação da estratégia da fusão entre as empresas, só que não.

Já os mais calmos são aqueles que acreditam que o modelo atual não estava funcionando, que se perdia muito dinheiro com processos ineficientes e pessoas que não ajudavam muito. São eles que acreditam que um choque de gestão pode fazer toda a diferença.

Para meu amigo, são os calmos que colocarão o barco na água, como sempre fizeram, sem esperar reconhecimento ou um lugar ao sol. Os calmos geralmente não aparecem, mas fazem as coisas acontecerem. São eles que sabem e conhecem todos os processos, tem fácil acesso a todas as áreas da organização e tem a noção do que está a acontecer, com a chegada de pessoas novas, pensamentos diferentes, supostos processos reestruturados e a esperança que dias melhores virão.

Acredito que mostrar serviço para se garantir em uma eventual fusão ou aquisição não assegura sua manutenção no trabalho atual. Você deverá fazer o que precisa ser feito para que a fusão seja finalizada com sucesso, você ficando ou não.

Caso fique, ótimo. Caso não, bola pra frente. Arrume algo melhor e seja mais feliz.

Pense nisto.

Publicado em CF Ambiente | Comentários

Técnico ou jogadores

CF_AmbienteIsto é uma coisa muito comum e recorrente no mercado futebolístico. A má performance do time refletindo na reputação e no trabalho do técnico.

Cada dia que passa, mais e mais esportistas acabam  participando das convenções e eventos empresariais para compartilhar suas experiências. Para alguns, dizer como conseguiram superar os obstáculos, suas determinações e garra para alcançar os objetivos, além daquele famoso discurso sobre como trabalhar em equipe.

E quais lições e conclusões nossos executivos (ou melhor, aqueles com os quais lidamos no passado, trabalhamos no presente e vamos trabalhar no futuro) conseguem tirar disto? Olha, pelo que já vi nestes anos de estrada, acho que não conseguiram absorver muita coisa não…

Já vi gente contratar um determinado técnico famoso de vôlei (que não vou citar o nome aqui, para não termos problemas futuros) porque achava o cara o máximo, tinha livro na cabeceira da cama e no armário do escritório, mas não pregava absolutamente nada do que o tal técnico defendia em suas explanações. Por outro lado, todos que assistiram àquela palestra, saíram dela diferentes, sem ninguém pedir. Mudados, pelo menos por um tempo, para melhor. O problema é que o técnico corporativo conseguir fazer o clima e as pessoas voltarem ao que eram antes…

Outros gestores costumam dar o exemplo de que trabalhar em um time automotivado é a melhor saída para que todos consigam alcançar ótimos resultados! Ele só esqueceu que, como técnico, é ele que deveria ditar o ritmo. Automotivação?!? O que é isto? Como fazer com que um time totalmente automotivado possa ir para algum lugar? A automotivação individual vai levar cada um para um lado se não tiver alguém no comando da batuta. Nem mesmo uma orquestra com seus vários melhores músicos de suas categorias consegue tocar sozinha, imagina só uma equipe com um monte de gente mais ou menos fazendo as coisas?

É aí que entra a comparação que mencionei no começo sobre técnicos ou jogadores. Nas empresas de hoje, como cada um está preocupado garantir seu próprio futuro, um dia a mais no fundo de garantia (esta frase é do Isaac Bezerra) e não pensar na empresa, vemos que quando uma equipe não funciona, vários modelos são testados, pessoas são demitidas e os resultados continuam sem mudar.

Não sei se estamos fazendo certo. Se percebemos que várias pessoas de um mesmo departamento se demitem, é impressionante como sempre tendemos a arrumar uma justificativa que isenta a empresa (e consequentemente o gestor) da causa da demissão. A culpa é sempre da pessoa que “não se adequou” aos padrões e que não “tem amor pela causa”.

Esquecemos de analisar quais foram as circunstâncias das saídas ou fingimos que não entendemos as causas. Ninguém quer tirar o tapete da sala e perceber a sujeira por baixo. Preferimos colocar a culpa nos demissionários a acreditar que a coisa precisa ser diferente.

Quanto tempo vai demorar para os entrantes se adaptarem ao ritmo? Quanto gastaremos de dinheiro para que a equipe possa trabalhar em conjunto e performar num nível aceitável?

Se a equipe não funciona, será que teremos que trocar TODOS os jogadores para percebermos que o que não funciona é o técnico? Eu, particularmente, nunca vi nenhum time de futebol, por melhor ou pior que seja, trocar todo o seu time porque a performance está mal.

Pense nisto.

 

 

Publicado em CF Ambiente, CF Carreira, CF Gestão | Comentários

Você pode fazer mais

CF_MelhoriaVocê sabia que pode fazer mais, com o mesmo tempo e além disto pode obter mais comprometimento dos outros, melhores relacionamentos e ótimos resultados?

Nos dias de hoje, não podemos perder mais tempo transferindo a responsabilidade para os outros. Não podemos mais ser reféns dos emails que passamos acreditando que tiramos o problema do nosso colo e não conseguimos entregar o mínimo que o cliente busca.

Recentemente tive uma experiência um pouco decepcionante. Conseguimos demorar 30 dias para fazer uma atividade que demoraria apenas 2 horas se as pessoas envolvidas pensassem um pouco diferente. Para resolver esta simples questão de 2 horas, precisaríamos simplesmente apresentar na reunião um modelo pré-formatado para então discutir em cima dele (porque é muito fácil encontrarmos engenheiros de obras prontas). O que ocorreu foi que decidiu-se iniciar a discussão na reunião, ou seja, tentando entrar em um consenso e assim agradar a todos.

Outro caso demorou 9 dias porque ninguém quis fazer uma consulta de 2 minutos em um determinado site. A pessoa pensou ser mais fácil enviar um email com a solicitação e aguardar a resposta. Quando cobrada, ela simplesmente anexou a cópia da mensagem com a seguinte resposta: “Solicite a informação há X dias e até agora não recebi.”

Vi também gente que não estava disposta a ajudar o grupo porque não simpatizava com fulano de tal. Resultado: gastou-se mais tempo e dinheiro para descobrir que a pessoa que não participou era a única que detinha a informação crucial para o processo.

Vejo gente passar por várias torneiras abertas (água, dinheiro, processos e etc) e não fazer nada para reduzir as perdas, só reclamar que a coisa não funciona. O máximo que fazem é avisar alguém para depois dizer que fez a parte dela. O desperdício não adianta de nada, só encarece o processo – infelizmente para todos e não só para os perdulários.

Não podemos mais continuar fazendo as coisas mais-ou-menos. Não podemos deixar a peteca cair. Não devemos admitir as coisas do jeito que estão. Temos que arregaçar as mangas, pegar a enxada e começar a fazer o trabalho pesado. Quando alguém perceber que você está fazendo algo para melhorar o ambiente, com certeza, virá ajudar.

Temos que surpreender nossos clientes, entregar mais do que esperam. Tentar nos antecipar às necessidades, sermos mais pró-ativos, fazer mais pelo mesmo dinheiro e o mesmo tempo.

É nossa obrigação ser mais colaborativos para fazer um ambiente melhor, mais dinâmico e com melhores resultados.

Quanto melhores os resultados do grupo, mais reconhecimento e benefícios os indivíduos receberão.

Pense nisto.

Publicado em CF Ambiente, CF Gestão, CF Melhoria Contínua | Comentários

Composição, decomposição e recomposição

CF_liderancaCorremos grandes riscos ao contratar alguém para montarmos um time de alta performance. Recorremos aos melhores headhunters do mercado, com suas reputações e históricos mirabolantes, buscando os profissionais mais qualificados e adequados à nossas necessidades. Escolhemos os candidatos pelos melhores discursos, experiências e qualificações colocado nos CVs, mas esquecemos de colocá-los junto com a equipe que já está em funcionamento para analisarmos a sinergia e o rapport entre eles.

As etapas da preparação de uma equipe de trabalho obrigatoriamente devem passar (ou acabam passando – de um jeito ou de outro) pelos três pontos abaixo:

1. Composição

2. Decomposição

3. Recomposição

Assim como a composição de uma música, os membros da orquestra devem estar organizados de maneira a fazer o som fluir, de maneira a ser integrado com a letra e o ritmo proposto. Compor um time não é fácil, ainda complemento que fazer este time trabalhar junto também não é.

Tentamos trazer os melhores de cada especialidade para integrar a equipe  que já está em funcionamento, mas precisa de alguma manutenção. Buscamos cada vez mais otimizar os resultados com as ferramentas que temos mas nem sempre os melhores conseguem fazer a equipe funcionar como deveria.

É aí que entra a decomposição. Muitas vezes temos que desmembrar o time com o objetivo de fazê-lo crescer. Desmembramento não significa necessariamente demissões – coisa esta que pode acabar ocorrendo, cedo ou tarde – mas sim pensando no aspecto de organizar melhor as competências individuais em novos grupos ou estrutura para termos melhores retornos.

Vão existir casos que a demissão se fará necessária. Quem sabe até pode ser utilizada para dar um choque subliminar aos remanescentes para que eles mudem suas atitudes e comportamentos para que a performance seja alterada e os resultados sejam melhores alcançados.

No início, a decomposição ou reorganização pode trazer uma baixa no moral do time, porque os que saíram tinham características admiradas ora por uns ora por outros. A queda de performance pode ser natural – se o que saiu tinha certo grau de influência nos outros – ou forçada, para os casos onde a equipe decide fazer “greve branca” para que sejam ouvidos de maneira diferente.

 E o gran finale seria a recomposição. Todo o segredo está nesta etapa. Fazer com que o próximo possa entrar no time que já está em andamento para somar ou até multiplicar os resultados da equipe, trazendo uma nova motivação ou um gás para que o time consiga subir outro degrau.

Através das lições aprendidas das diversas composições, recomposições e decomposições ao longo de nossa vida profissional, tentamos sempre evoluir e melhorar os resultados revertendo situações que antes eram únicas e não tinham outra alternativa.

Pense nisto: ESTAMOS EM CONSTANTE RECOMPOSIÇÃO!

Publicado em CF Ambiente, CF Carreira, CF Gestão, CF Liderança | Comentários

Respondabilidade – O poder está em suas mãos

CF_PersonalSomos mestres em inventar desculpas por não termos feito o que combinamos. Temos mais desculpas na ponta da língua do que soluções para os pequenos problemas do dia-a-dia.

Deixamos de responder a emails ou a telefonemas porque estamos muito ocupados fazendo outras coisas nada produtivas.

Sempre postergamos nossas entregas e deixamos para a hora possível para fazer aquilo que levaria menos de 20 minutos se fosse feito agora. Não conseguimos levar a sério a prioridade do outro. Cada um na sua.

Muitas vezes assumimos responsabilidades para entregas relacionadas a prazos que não conseguimos cumprir, mas não contamos pra ninguém. Fica mais fácil pedir desculpa pelo atraso depois. Afinal, como disse um primo meu, D+1 no Brasil ainda é considerado dentro do prazo.

O mais engraçado é que constantemente (até inconscientemente) tentamos transferir para os outros as responsabilidades sobre nossas ações – tanto pelas realizadas quanto pelas não realizadas. Nunca faltam justificativas para nossas falhas, pode ser o trânsito, o trem, a falta de tempo, as não oportunidades, as faltas de espaço, a urgência e priorização dos solicitantes, as diversas carências, as opções inexistentes, o dinheiro que nunca veio ou até aquela resposta que ficamos esperando de alguém…

Aí que mora o problema. Sabemos as desculpas, mas deixamos de responder às necessidades que nos trazem.

Respondabilidade é ter o poder de dar as respostas para os outros com responsabilidade e no tempo que a solicitação precisa ser entregue, sem desculpas. É claro que não estamos aqui falando de coisas absurdas, como por exemplo conseguir que fazer um bebê com 9 mulheres em apenas um mês. Mas sim, de responder em tempo de atender às solicitações negociadas com nossos solicitantes no prazo que foram negociadas.

Pediu 3 dias pra fazer? Faça em 3. Não adianta entregar em 4 ou 5 dias. Já passou o prazo combinado e o cliente não estará satisfeito. Qual o risco? Do próprio cliente fazer o trabalho por si e ambos perderem tempo.

Quantas vezes isto já não aconteceu com você? Pedir algo para alguém e você mesmo ter que fazer porque não foi atendido no prazo adequado ou na qualidade esperada? Então, isto acontece com certa frequência pelo mundo afora, especialmente com você e seus clientes/fornecedores.

Respondabilidade é entregar com a qualidade esperada pelo cliente ou até superada.

E não é só entregar com qualidade. É entregar de maneira a não ser questionado sobre o número ou o resultado que foi apresentado. É não precisar ter alguém para conferir aquilo que você gastou seu precioso tempo para fazer. É não ter relatórios de conciliação para garantir que você viu tudo e tem a certeza de que a coisa está certa.

Respondabilidade é dar a resposta certa na primeira vez. É ter a certeza de que todas as variáveis foram analisadas e nunca mais precisaremos voltar neste mesmo assunto. Eu particularmente acho muito chato quando alguém volta com um assunto depois que já passou o enterro e a missa de 7 dia. Tarde demais.

 

Somos brilhantes em arrumar desculpas, mas não usamos a mesma capacidade de inventar as desculpas para buscar soluções, pensar nas alternativas e garantir os resultados.

 

Pense nisto.

Publicado em CF Ambiente, CF Carreira, CF Life, CF Pessoal | Comentários