Seguro de vida para homem-bomba

CF_gestaoSeguradoras são sensatas e isto não podemos negar. Quanto maior o risco, maior o prêmio. Podem se dar ao luxo, ou melhor, ao direito de não aceitar apólices de pessoas e/ou empresas que representem riscos muito altos. Se você fosse uma seguradora, você faria um seguro de vida para um homem-bomba? Eu acho que não.

Para alinharmos o entendimento sobre seguros, uma apólice de seguros nada mais é do que uma aposta que você faz contra a seguradora com a certeza de que sofrerá um sinistro dentro de um determinado período. A seguradora, por sua vez, aceita a aposta acreditando que você vai escapar. E é claro que somente aceita as apostas depois de uma análise bem detalhada do seu perfil e da probabilidade da ocorrência do sinistro.

Então porque é que não analisamos com detalhes as probabilidades de ocorrências de sinistros no nosso dia a dia corporativo e pessoal para então definir onde apostar nossas fichas? Porque não. É mais difícil desta forma. Porque complicar se podemos deixar a coisa mais simples?

Assim como a seguradora não vai aceitar a apólice de seguro de vida para um homem-bomba, você precisa saber em qual empresa ou pessoas deve apostar as suas fichas. Cada vez mais eu vejo que tanto as pessoas quanto as empresas estão apostando suas fichas em coisas erradas, como:

  1. Estratégias nada planejadas
  2. Processos mal definidos
  3. Pessoas pouco treinadas, pouco experientes ou sem noção nenhuma
  4. Linhas de negócios e produtos fracassados
  5. Fluxos operacionais que gastam mais do que lucram
  6. Micro economias
  7. Consertos que estragam e,
  8. milhares de outros pontos deste gênero, em maior número e grau…

Uma coisa é fato. Não conseguimos saber de tudo antes do problema acontecer e não temos coragem nem paciência suficiente para analisar as variáveis que poderiam minimizar as ocorrências de “sinistros” dentro do nosso dia a dia.

Temos pouco tempo para fazer muitas coisas e menos tempo ainda para gastar no planejamento (item este que acredito que deveríamos dedicar muito mais tempo) da execução. Precisamos encontrar saídas mágicas para os problemas que nos perseguem há tempos em prazos inalcançáveis, com qualidade aceitável e, de preferência, sem gastar muito.

O que acaba ocorrendo é que apostamos contra o homem-bomba, sabendo que mais cedo ou mais tarde a coisa vai explodir e pensamos assim: “Deixa explodir. A hora que explodir, a gente faz alguma coisa.”

Não podemos mais pensar desta forma. Se é pra fazer, que seja feito da primeira vez e resolvido para que no futuro não volte para assombrar novamente, atrapalhando o andamento das outras milhares de coisas que temos que fazer diariamente.

Pense nisto, o relógio está correndo: tic tac tic tac tic tac

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Terceirização de incompetências

CF_ProdutividadeNossas características profissionais são compostas de competências extremamente fortes e competências não tão positivas assim.

Algumas destas competências – adquiridas ao longo de nossa jornada profissional – desenvolvemos mais facilmente por termos maior afinidade com determinados conceitos e visões, além de utilizarmos estes pontos desenvolvidos como nosso diferencial competitivo. Outras competências não conseguimos desenvolver na mesma velocidade ou com o mesmo empenho, o que não pode <e nem deveria> comprometer nossa performance.

Temos que focar nosso desenvolvimento naquilo que somos bons e não naquilo que pouco agrega ao nosso resultado. Neste cenário, a terceirização aqui descrita é transferir nossas incompetências para alguém que as tenha como competências. É canalizar a energia para aquilo que faz a diferença. Não dá para ser bom em tudo. Bastante gente gasta muito tempo para fazer coisas que não fazem bem, isso porque nem possuem capacidade suficiente para tal e acabam focando sua energia nas incompetências.

Se você é gestor de um time, é seu papel orquestrar estas diferentes (in)competências de maneira a otimizar a performance do time, direcionando os recursos para fazer aquilo que eles já fazem bem.  As pessoas passarão de boas para ótimas e ótimas para excelentes porque estão focando em suas áreas de expertise.  Uma equipe é composta de pessoas com diferentes competências que se complementam e não são concorrentes.

Tanto você quanto sua equipe serão reconhecidos pelas competências e os resultados apresentados simplesmente porque fazem aquilo que realmente são bons e deixam os outros fazerem aquilo que não fazem bem.

 O que estou dizendo aqui não é passar para os outros aquilo que é chato de fazer (como acontece na maioria dos casos que vemos no mundo corporativo), mas sim aquilo que sabemos que outras pessoas podem fazer melhor que nós.

Pense nisto.

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E se você fosse… um projeto

Figura1Hoje iniciarei uma série de posts tentando fazer o leitor sair da visão de expectador e fazer parte de alguns itens corporativos que nos relacionamos diariamente, criando um rapport e empatia imaginários com estes itens. Para quem não sabe, rapport é uma técnica utilizada e defendida na psicologia para criar uma ligação de sintonia e empatia entre duas pessoas.

Voltando ao tema do post. Achei interessante começarmos a falar sobre um assunto bem interessante e atual, sobre projetos.

Imagine que você é um projeto. Pela definição clássica do pmbok (o pmbok para alguns é como a bíblia da gestão de projetos; para outros serve como um guia de melhores prática): “um projeto consiste num esforço temporário, empreendido com um objetivo pré-estabelecido, definido e claro. Tem início, meio e fim definidos, duração e recursos limitados, numa sequencia de atividades relacionadas”.

E se você fosse… UM PROJETO?

Como que você gostaria de começar?

Acredito que para começar, a primeira coisa que você deveria fazer é saber exatamente qual é o seu propósito, o porque da sua existência.  Que o escopo do que você tivesse que entregar estivesse bem detalhado para que não corresse o risco de ter que parar em alguma bifurcação no caminho para discutir em qual direção seguir.

Além disto, seria muito interessante saber também qual é o prazo que você tem para ser entregue e consiga organizar cada uma das atividades de maneira sequenciada e organizada. Com isto, você poderia facilmente planejar todos os recursos humanos e financeiros necessários para que a execução ocorresse sem muitos percalços.

Falando em recursos humanos, você deveria estabelecer um departamento de comunicação para que este canal fosse 200% funcional entre as pessoas. Como todos sabemos, a comunicação é o que mais traz problemas os relacionamentos, imagina só em um projeto onde as pessoas mal se conhecem como é que vão funcionar se não tiverem a comunicação bem estabelecida.

Como um projeto, você não pode deixar de pensar em dinheiro, você precisa dele para fazer as coisas ocorrerem e acredito que gostaria de ter todo o dinheiro previsto já disponibilizado para poder melhor gerenciá-lo. Com isto, você teria a liberdade de remanejar o orçamento dentro de cada uma das etapas que deve que passar, zelando pelo menor gasto possível, para poder ter uma reserva para eventuais coisas não planejadas.

É claro que nenhum projeto ocorre sem problemas, isso você já deve sabe. Como bom projeto que é, você teria uma lista bem detalhada de possíveis riscos, com as ações que devem ser tomadas caso algum destes riscos ocorra durante sua jornada.  E o principal: todas as pessoas envolvidas deveriam estar cientes dos possíveis problemas, assim, aumentaríamos a possibilidade de evitar com que eles ocorressem.

Agora pense no que dissemos acima como se fosse sua viagem de férias. O que você faz quando planeja uma viagem?

- Sabe qual vai ser o itinerário e os lugares que vai visitar? Pronto. Seu escopo está definido.

- Sabe quando vai e quando volta, além de quanto tempo vai passar em cada lugar? Seu cronograma está feito.

- Separou o dinheiro que vai gastar em cada uma das atividades previstas? Orçamento pronto.

- Analisou a previsão do tempo para levar a roupa certa, sem esquecer de levar um ou outro item para uma eventualidade? Sua gestão de riscos está bem encaminhada, mas não significa que é exatamente isto que vai ocorre.

- Comprou as passagens antecipadamente? Pesquisou os lugares para visitar? Montou um roteiro do que quer ver? Perguntou para outros o que fazer? Ótimo, você está indo no caminho certo para ser um projeto!

Mas o que percebo nos dias de hoje é que a coisa está tão mal organizada e mal estruturada que as pessoas pensam que projeto é igual a um pastel. Basta chegar no balcão e pedir um de carne e um de queijo. Os prazos não estão bem definidos e a cada reunião tem uma data diferente. O escopo nem sempre está ok para os clientes, porque não se escreve nem se convenciona o que deve ser feito, as coisas são feitas no “vai ser mais ou menos assim”.

Quando falamos de orçamento. Alguém dá um chute com um número mágico e temos que ser mais mágicos que o Mister M para poder fazer coisas impossíveis, a custos totalmente fora da realidade e em prazos mais irreais ainda.  Gastamos duas vezes mais ou compramos algo em duplicidade simplesmente porque esquecemos de organizar a comunicação e identificar quais eram as necessidades específicas.

Ninguém mapeia os riscos e nem utiliza as lições aprendidas nos projetos anteriores para não errar novamente ou ser pego de surpresa por um risco não identificado. Insistem em fazer as mesmas coisas erradas sempre e discutir os mesmos assuntos repetitivamente.

Ao colocarmos pessoas neste processo todo, alocamos para os principais projetos aquelas que estão com a carga de trabalho baixa – geralmente aquelas que não sabem planejar e não fazem nada direito. Isto certamente causará problemas de comunicação e de entregas mal sucedidas. Senhores feudais vestidos de gestores fazem o que bem entendem e ninguém questiona, tentam chegar num consenso que nunca irá existir.

As pessoas não se comunicam e não sabem o que cada um está fazendo. Ser um projeto não é fácil, esta é a realidade.

Existem também outras grandes áreas – não menos importantes – que eu precisaria atacar durante meu caminho, como integração, aquisições, qualidade e etc, mas isto é assunto para uma outra conversa.

Pense nisto.

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O suicídio corporativo

CF_CarreerIsto mesmo que você leu. Não sei se você, mas um monte de gente ao seu redor está praticando tal forma de eliminação do mundo corporativo. Cada um no seu ritmo, alguns mais rápidos do que os outros, mas todos indo para o mesmo caminho – o suicídio.

A palavra é forte porém reflete muito bem aquilo que está acontecendo com determinadas pessoas. Muitos dos suicidas o fazem sem realmente perceber o que estão fazendo e, quando o fato é consumado, fazem caras de surpresa como dizendo: “Por que eu”?

Os tipos de suicidas corporativos se dividem em três:

  1. O suicida honesto e verdadeiro - este é aquele que acha que está fazendo uma boa coisa, ou seja, dizer a verdade sobre tudo a todos. Ele usa sua sinceridade nos momentos mais impróprios, para as pessoas erradas e nos lugares errados. Seus descontentamentos são expressos claramente. Não está preocupado com quem possa ouvir suas lamentações, reclamações ou indiretas, simplesmente fala tudo. Assim como um peixe, morre pela boca.
  2. O suicida comportamental – Já o comportamental é aquele que não precisa nem abrir a boca pra dizer o quanto está descontente ou não está confortável com determinada situação. Demonstra que já não faz mais parte do time através de suas ações não pensadas e sua queda de performance natural. Chega atrasado, vai embora a hora que quer, vem trabalhar todo largado, entrega somente aquilo que interessa e, principalmente, com um nível de qualidade muito abaixo daquilo que ele estava acostumado a fazer.
  3. O suicida com razão – Este é o pior tipo, pois mistura características dos outros dois. Ele pensa acredita que é o dono da verdade, só ele manja de tudo e somente as coisas que ele faz é que são a diferença para o funcionamento da organização. Este tipo acredita que é imprescindível, insubstituível e sem ele a empresa vai parar. Geralmente estão no comando de alguma micro coisa que tende a ser exaltada como uma gigantesca atividade. Tem um pouco da postura do suicida comportamental e a boca do honesto. Este geralmente morre mais rápido.

A pergunta que eu faço neste momento é: “Por que existem os suicidas corporativos”?

Vejo como uma mistura de motivos que podem levar as pessoas a quererem sair da empresa.  Quem efetivamente quer sair, geralmente sai. Quem não sabe o que quer, inconscientemente assume posturas que os levam ao suicídio.

Não existe base histórica para entendermos através de amostragens qual é o percentual de suicídios corporativos que são efetivamente consumados. Mas vemos estes tipos de suicidas o tempo todo.

E são diversos os motivos, como:

  • não tiveram a oportunidade para aquela almejada posição
  • não conseguem demonstrar que são capazes de trabalhar em equipe
  • as coisas não são feitas como deveriam ser
  • não conseguem entender as limitações dos outros
  • somatizam as frustrações do ambiente e acabam acreditando que aquilo também é para ele(a)
  • as coisas não evoluem
  • as pessoas não mudam
  • o café não é bom (este é um daqueles motivos que não tem nada a ver, mas para quem está infeliz, qualquer motivo é motivo)
  • e entre outras milhares de causas …

A principal lição que podemos tirar disto é que sempre haverão suicidas em qualquer tipo de ambiente corporativo. Por mais que a empresa ou a gestão se esforce para fazer com que as pessoas se sintam bem e que o ambiente seja favorável, nunca dá para agradar a todos por todo o tempo possível.

Mas lembre-se: sua postura não determina como você é, mas sim como as outras pessoas o vêem.  É muito difícil reverter uma imagem construída pelas pessoas ou até que alguém consiga abrir espaço para ter uma segunda primeira opinião a seu respeito. 

Pense nisto e tenha vida longa.

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Apenas mais do mesmo

CF_MelhoriaEstamos vivendo num mundo repetitivo. Não sei se é só comigo que isto acontece, mas é impressionante como as mesmas coisas parecem ocorrer em intervalos cíclicos constantes.

Discutimos os mesmos erros de tempos atrás, vemos pessoas fazendo e refazendo as mais diversas atividades, damos as mesmas soluções que demos e vemos que ninguém se manifesta em colocar a coisa em execução. O tempo passa, as pessoas saem, históricos se perdem e o assunto morre.

Aí entra um cara novo, achando (ou pelo menos disseram para ele pensar de certa maneira) que está tudo errado, as coisas aparentemente não saem do lugar e que precisamos fazer algo para mudar. E lá vamos nós novamente discutir o mesmo assunto que não saiu do lugar quando deveria ter tido um final feliz. Novas reuniões são agendadas, pessoas novas são envolvidas e aquele que supostamente possui um pouco de histórico sobre o assunto, vira o responsável de colocar para funcionar.

Tentamos organizar um consenso entre todos os envolvidos (coisa meio que impossível de acontecer) e buscamos certo comprometimento de quem se interessar para que o tema não fique só em mais uma reunião improdutiva. Com a próxima reunião agendada para o mês seguinte, ações nem sempre corretamente direcionadas, compromissos cada vez menos sérios e cobranças inexistentes…. o assunto novamente está fadado ao esquecimento. Sem falar nas gambiarras corporativas que nos levam vezes e vezes ao mesmo local porque esquecemos de dar a solução definitiva para um problema que seria temporário.

Quando falamos de pessoas, temos a ilusão de que os novos contratados trarão aquele gás que tanto precisamos para que as coisas evoluam. Ledo engando. Estamos acostumados a ver as novas contratações como os amigos dos amigos dos amigos da empresa anterior (onde supostamente tudo funcionava bem) e que já trabalharam juntos, dizendo que trouxeram fulano como  ”Eu já sei como ele trabalha”. Basta duas ou três semanas para que o entrante se habitue no ambiente e seja exatamente igual àqueles que queríamos que fossem diferentes.

Assumem as posturas que supostamente combatemos diariamente. Discursam sobre as ineficiências mas não fazem nenhuma força para que seja diferente. Buscam apontar os dedos para os problemas alheios e não enxergam que não estão cuidando de seu próprio jardim.  O problema é que aqueles que querem fazer a diferença, não conseguem. Seja porque estão na parte de baixo da cadeia alimentar ou porque não se conseguem fazer ouvir pelos gestores. Aliás, o que mais vemos é gente tapando o sol com a peneira, fingindo não ver as coisas erradas para não ter o trabalho de corrigir. Somos muito ativos para reivindicar direitos corporativos, porém muito passivos em relação às coisas erradas que ocorrem ao nosso redor.

Somos mestres em desculpas paliativas, conseguimos gastar mais que o planejado, com mais tempo do que o previsto e mesmo assim as coisas continuam como se isto fosse a coisa mais normal do mundo. Pessoas não se comprometem em melhorar o ambiente de trabalho, mas conseguem ficar o dia inteiro navegando ou mandando joguinhos pelo celular.

Não temos novas iniciativas, muito menos terminativas – as coisas não acabam de uma vez. Os assuntos discutidos são cíclicos, ou seja, voltam à mesa a cada 5 ou 6 meses, as pessoas que chegam rapidamente assumem a postura daqueles que acham que tudo é impossível e a empresa não vai mudar. Não estamos fazendo nada novo, nem saindo do lugar, apenas mais sobre o mesmo assunto.

 

Pense nisto e saia do lugar.

 

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